Verdade Velada

Eu vi a verdade velada nas ruas
Por isso corri na contra mão.
O desespero engana o coração
Com um perigo iminente,
Muitas vezes uma fantasia
Uma farsa pós moderna,
Um peso supérfluo e sem sentido que se carrega dentro,
Como as coisas sem sentido
Sentidas na alma.

Mas ainda hoje eu perguntei para o lis
Perdido em qualquer jardim:
Onde foi que as lágrimas de minhas angustias
Regaram e alvejaram suas pétalas?
E quando foi que chorei sem motivo
A dor dos incompreendidos?

Ignorei as palavras torpes
Com as quais me acusaram sem motivo
Deve-se olhar para frente, amigo.
E acompanhar a melodia que alegrará
Nossos corações niilistas.
Ainda ontem
Eu e Nietzsche brigamos muito
Eu o chamei de prolixo e sofista
Eu o chamei de porco chauvinista
Pois eu ainda creio

E se deve olhar para frente, amigo
Sempre

Fim de Tarde

Um outro caminho, santo
sempre
acima das nuvens, acima da apatia com que me maltratam.
A noite nunca deixa de vir,
não deixa,
e eu não deixo.
Não deixo.
Fim de tarde, o sentido perdido de minha aflição
Meu peso na alma.

Da vida quero um favo de mel
Móveis imóveis
E outras coisas efêmeras
Da vida quero um raio de sol
Quero entre giletes e escovas de dente
Um reflexo mais feliz no espelho.

Não seguirei meu coração
Não quero chegar tarde
Apesar das voltas que dei pela cidade
Pelas ruas, vielas
E passarelas.

Eu nunca fui fashion
Baby, oh não.

desejo de ser importante

Em vão tentei carregar de rancores a poesia
Meus gritantes rancores taciturnos
Para ferir meus iguais feridos
Mas a poesia não soa assim
Ela está aquém dos defeitos humanos,
Da mecânica alienada de nossas cidades
Sublime e flutuante, a poesia observa a vida
E detém seu canto no que há de mais tocante e profundo.
Por isso lavei meu coração
Vendo que a poesia apreciava mais a mim que eu a ela
Pois enquanto eu perdido na multidão
Ela me encontrou, e ela era como um sorriso que se abre
Deu-me um abraço
Assim satisfez meu íntimo desejo de ser grande

Entendi que todos merecem singular atenção
Pois se não se sentirem importantes
Definharão famintos por isto
Na ânsia de seus corações solitários.

ferida aberta

Minha ferida aberta
meus pontos se romperam
meu sangue escorreu pelos meus passos
passos vermelhos
sobre o espaço branco
do nada diante de mim.
Meu ser escarlata
vermelho vexame
meu ser rubro de vergonha.
Meu Deus!
Perdoa minha falta de fé
minha falta de branco.
Minha ferida está aberta
e longe da cura.
o Teu altar não sei mais onde fica
e o sentido ou estesia da vida
não sei mais onde ficam.
Minha ferida ainda aberta:
eu não os entreguei, meus pontos é que se romperam

Mundo humano

A injustiça vai bem, obrigado!
Mas meu peito sofre com palpitações
Nessa resignação ensopada por meu pranto.
Odiei minha condição de desprezado.
Um filho bastardo da vida.
Poeta.
Fui um desvio de regra
Não me amaram, em raras exceções, os que me conheceram
Pela dificuldade humana de tirar os olhos do próprio umbigo.
Me viraram as costas.
Ódio e mágoa são sentimentos humanos
E não fui menos humano do que eles