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Eu na beira fitando o profundo
Via meu vazio em silencioso mergulho
e eu era um abismo sem fundo
sem saber onde foi que perdi minha vida
entre lixo e entulho
Eu na beira fitando o pélago
como voo perdido de uma pluma na espuma
na água salgada minhas lágrimas não fazem diferença nenhuma,
meu sangre entre o rubor de seu roseiral
não faz diferença nenhuma
Eu deixado à margem, bastardo legítimo
minha insignificância pertence ao infinito
e o infinito pertence ao meu íntimo
meu conflito aflito e contrito
necessidade de amor infinito
Eu mendigo, eu viciado, ou eu deprimido
Ansiedade a medir o abismo com uma régua
Eu marginal, preso a pesos e pesares sem trégua
Na beira de mim ouvindo o não dito
Na multidão impessoal e incompreensível
eu sou mais um, sou invisível
Na multidão
minha presença,
não faz diferença
não.
Como se eu fosse um poema,
uma mentira ou estórias fictícias,
Apesar de sempre estar lá nunca apareci nas estatísticas.
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Alcançar idade não fez de mim um homem completo
no dia em que lembrei que fui triste
durante infância e juventude.
Nasci deslocado do mundo
e a vida descontou em mim sua indignação,
a crueldade incompreensível que não sei decifrar.
Eu nunca soube contra quem lutar.
-Contra quem é que estamos mesmo?
Sou um passarinho cansado,
fui traído com beijos,
fui enganado por prestadoras de serviço,
fui levado ao exílio.
Contudo meu desespero ante o absurdo do mundo não grita mais
ele está lá mas não grita mais
Eu lutei, não pela vida,
pois nunca tive medo de perdê-la,
Meus sonhos eram tão altos e perigosos demais
Também não lutei pela morte,
apesar de não ter medo de achá-la.
Pois meus sonhos de vida são altos e perigosos demais para viver.
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Meu desejo
pela a estesia de ser
o violoncelo entre as pernas de Jacqueline Du Pré
Minha vontade de ser em sua completude
o violino colado ao colo sob as expressões de
Sayaka Shoji
Por favor, me deixa ser..
deixar de ser,
e não ser
um ser
Aos seus sons apenas fecho os olhos e penso:
me deixa ser
esse objeto
de seu prazer
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Todos somos meros figurantes num filme de pessoas que não nos conhecem.
Todos somos criados anônimos que servem cotidianamente sem perceber.
Somos pano de fundo no coração dos desconhecidos.
Somos uma importância sem importância
para vocês...
Eu sou a faxineira,
sou o guarda de transito,
sou o motorista,
sou a cozinheira,
sou o lixeiro,
sou a camareira,
sou o poeta
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