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A Vida veio aqui
jogar na minha cara
que eu não sou suficiente,
me ofendeu com palavras,
me deu um tapa no rosto.
O Mundo também veio aqui pedir satisfações
metido a valentão
me empurrou no chão,
me ameaçou e me extorquiu.
Eu era um colibri desarmado,
um pardal na tempestade
com o interior partido...
e pânico do futuro
Enquanto isso a Esperança que assistia a tudo horrorizada,
desconversou comigo, sorriu nervosa e constrangida,
se despediu com um beijo
ainda hoje estou aqui olhando-me envelhecer no espelho do tempo
esperando ela voltar
...
minha dor é material de consumo,
entretenimento para as massas.
Mas terá circo...
não me protegerão da artilharia pesada
O melhor de nós precisa mesmo ser procurado?
O melhor de nós não está na superfície, nem mesmo no raso?
Mas está mesmo é no profundo, o melhor de nós?
Como eu poderia reconhecer?
Em um dia comum, reparando um pouco, não dá para ver?
Então como saberei que existe o melhor de nós?
...
ser concessivo
a ponto de deixá-los morrer
ser comedido
a ponto de deixá-los morrer
estar apenas fazendo meu trabalho
e deixá-los morrer
A Miséria e Fome
A Violência e Ódio
O Inferno
quem chora?
quem sofre?
quem perdeu a esperança?
quem se importa com quem?
seguir o curso deste mundo
Acomodado e indiferente
Ou ser morto por não querer deixá-los morrer
.
...
a ferida
no meu peito está aberta ainda
e minha vergonha arde ainda
um cego sempre acorda no escuro
e não precisará abrir os olhos ao se levantar
assim tenho andado
meu coração tardando em amanhecer
para viver sei apenas sentir
essa é minha sina e meu pão de lágrimas
não sei pensar, sei apenas sofrer
meu peito ainda nu
remoendo minha desventura
não consigo enxergar a luz do dia
porém a luz está lá
o brilho dos seus olhos
o clarão do seu sorriso
meu quinhão
meu sonho
meu consolo
e mesmo diante de mim não consigo ver
vem romper meus obstáculos, as barreiras que criei na minha dor
abra uma janela no meu escuro
por favor não tenha medo
sou inofensivo
meu semblante fechado é um pedido de socorro
.