nunca fica vazia
nunca pára
e não dorme
nunca.
nervosa logo cedo
desesperada até tarde
insone
por isso, cidade
- sua violência me atravessa -
Eu preciso é de um incêndio
o fogo da vida se esvai na minha letargia
o tempo é curto
e eu nunca quis gastar minha vida
Fazer bobagens nunca se enquadra bem na vida de ninguém
O que eu preciso é de um incêndio
o fogo da vida se esvai na minha covardia
o tempo é tudo
e tudo que eu preciso é
correr no tumulto,
escapar dessa fumaça,
fugir de elevadores,
salvar minha vida,
ou salvar alguém
Então vem, e me faz arder em vida
Tanta coisa.
Repetidamente. Tanta coisa por fazer ante a indisposição em fazê-las. Intermitente. Pensando em desistir. Tanta coisa. Desejando outra vida e minha vida girando em círculos. Tanta coisa. Déjà vu. Um ciclo vicioso de mesmas coisas. Caleidoscópio de insights alucinados
Tanta coisa
que cansa,
por isso fechei os olhos estando acordado e tapei os ouvidos estando eu atento,
busquei abrigo no íntimo,
Por isso mudo, caminhei o dia inteiro de olhos fechados,
há palavras que não valem a pena serem ouvidas.
Exigiram providencias e não as cumpri,
mesmo calado eu disse não.
Não me importava mais com as consequências,
e não tinha medo,
não tinha nada a perder.
Onde o homem está, ali está o seu tesouro
e eu estava dentro
O incerto sempre adiante,
minha cor parda desprezada,
os desaforos que trago na bagagem
na viajem de volta pra casa,
e as crianças tristes dessa cidade...
a vida tem os seus pesares
apesar da minha alegria contida
Mas eu já perdoei as ofensas deles.
Meu coração-latifundio
dividido aos sem-coração.
Meu monopolizado sentimento
de adoção pelas maiorias
...porque a maioria é pobre,
a maioria é parda,
a maioria é triste.
a vida tem os seus pesares
e ainda assim eu joguei limpo
apesar das trapaças
apesar da injustiça
apesar da influência
Action painting social urbana
que pintou a bagunça que vejo
e eu continuo ileso
Os filhos da luz estavam
De vestes brancas
Branco estava meu coração
Diante de Deus
Branco de espanto
Branca consciência diante das coisas
Que sucumbiram
E no dia de sol me vestia
De preto
Por causa do meu luto
Por causa da minha luta
Negro desespero
Dos órfãos e das viúvas
E dos solitários
Deus, por favor, não me deixa
Nessa hora de angustia,
Neste frio que sinto agora.
Coração cansado de bater
Descompassado
espírito cansado
De se debater
Contra a carne.




