...
Estou atrasado
E preso no trânsito
Belo Horizonte é o único caos da minha vida
Belo Horizonte que fez minha vida sem rumo,
Sem paradeiro.
Taquicardia nas filas de banco
Nos pontos de ônibus.
Nas artérias engarrafadas do coração
Coração,
Que como a cidade é venoso
Venenoso, quem sabe.
Coração,
Coração partido
Repartido em propaganda
BH cem!
Pura publicidade pura
Cidade impura
-BH sem coração-
Chorei as suas penas
Em suas avenidas em fluxo de sangue.
Cem anos de ilusão,
De desespero,
Do mesmo desespero de te amar,
BH,
De saber que a vida se ganha e se perde
A cada esquina
Que a vida se multiplica e se dizima
A cada esquina
De saber que o coração é uma cidade
Cheio de dores e fumaça:
Belo Horizonte.
Rio
cidade de extremos
luxo e favela,
asfalto e floresta
maravilha e miséria
realidade no limite entre
apenas malandrice ou vil banditismo
mata que assalta
asfalto que mata
corpo dourado, linha amarela
morro onde morro
rio, ou simplesmente não rio.
continua lindo
continua feio
continua dois Rios
e não desagua em mim
Tentei fugir também
Tentei fugir de mim
Eu era o buraco em Gare Du Nord
Eu estava sempre partindo
Sem ninguém para se despedir
E chegando, não era bem vindo
A cidade não sabe acolher o perdido
Nostálgica, ama mais a seus mortos
Orgulhosa me despreza
Fria torre de ferro
Entre as flores da primavera.
Dans mon cœur, même sans fleurs,
C'est toujours le printemps à Paris.