A vida é uma dádiva da qual nunca se sabe,
E nem se percebe.
Talvez
Ora escondida nas sombras do sofrimento,
Ora em plena claridade de alegria.
Não sei,
Mas sei que é uma dádiva que não se percebe.
Quando teu olho olho
Minha mente mente
Como quem lança a lança
Ou jogou um dado um dado momento
Assim assim à sorte
E não ouviu ou viu nada diferente.
Tive que passar do passado
Quando olhei a namorada do mal na morada do mal
Quando a serpente quis ser pente
Do ente doente
Eu porém preferi ser humano ou ser um mano
Uma pessoa cujo pé soa
Um qualquer, o qual quer vencer.
Agora piso o piso gelado
E cavo com pá, ciência e paciência,
E a calma acalma.
Naquela era era diferente
Um era um e o outro outro,
Mas hoje como como todos comem
E se se banharem todos também banho
Mas sei que amarrado com fio não confio neles
No desespero dez espero, para que me ajudem
Mas não me socorrem, só correm.
Se separa a semente, se pára e se mente
Dívida de vida a pagar e apagar a mágoa
Recebendo tudo aquilo a quilo pesado.
E é isso que eleva a dor no elevador
A dor que doeu do eu interior,
Se tua se situa bem aqui no coração
Faça o que eu digo, venda a venda dos teus olhos
Deixe o amor cego do morcego
De cada dente decadente,
Pega a corda e acorda,
A linha e alinha
E a massa amassa
Formatar, só se for matar os dados
Porém nunca desista ou deixe de existir.
Escreve meu nome no teu braço
Ou nas curvas do teu corpo
Cabe em qualquer lugar
E não pesa.
Escreve-o
Na gaveta de tuas roupas
Entre meias e calcinhas,
É fácil
E não dói.
Escreve lá na rua da tua casa,
Na praça Nova York
Pra onde foste embora e eu nunca te perdi.
Escreve o meu nome no seu coração
Não sei se vale à pena
Mas sei que cabe
E não,
pesa não.
Gente simples é a coisa mais linda do mundo
Não me refiro à pobreza, pois dinheiro nunca é simples
Refiro-me ao sorriso sem máculas
E o olhar brilhante que reflete um coração inofensivo,
Inócuo,
De quem encontra no desenrolar das coisas
a novidade da vida.
De quem sendo o maior, no íntimo
não se julga melhor que ninguém
Sabe-se pequeno
E não se importa
Um sorriso não faz mal,
Foi assim ainda que sem graça
Naqueles dias de escuras nuvens que seguiam seu coração
Que percebi entusiasmado a sutileza das coisas,
E o que realmente importa.
Eu sei que estive longe, e demorei tanto dizer que te amo
Eu sei que só busquei por ouro e glória
"Oh Musa, fala-me do solerte varão, que,
depois de ter destruído a cidade sagrada de Tróia,
andou errante por muitas terras
viu as cidades de numerosas gentes
e conheceu-lhes os costumes;
e, por sobre o mar,
sofreu no seu coração aflições sem conta,
no intento de salvar a sua vida e de conseguir o regresso dos companheiros."
Meu amor,
enquanto eu tentava ganhar o mundo ao fio da espada
Como um Odisseu perdido
Não entendia o real valor das coisas:
Pequenas coisas
e o que está invisível aos olhos muitas vezes
É o que importa...
Eu ainda não entendi direito o poder das palavras
ainda assim pretensiosamente me intitulei poeta
poeta talvez de fracas palavras empobrecidas.
poemas fiascos.
- do que vale, por mais alto que seja, o alarde dos desprezados?
Contudo as injurias se fizeram mais drásticas e gritantes
ecoantes
o veneno contido naquelas palavras
contaminaram meu sangue
e minha poesia minguada, não se impôs a nada
não foi romanesca
não foi engajada
A dor fina
Minha obturação dentária,
Não foi nada.
Fabiana foi embora de minha casa.
Lili perdeu o emprego.
Daniela tentou suicídio, e André
Vive alucinado e longe dos seus sonhos
A dor fina da alma.
Lavei a roupa suja na casa de Deus
antes de pensar em todas as coisas
e não foi nada.
Os gatos pingados da Tua casa,
Deus.
Choraram por dias a fio
Os seus dias amargos
E o meu coração ficou apertado
ao saber que Ana
era viciada desde os sete,
se prostituía desde os doze
e que sofreu um aborto
quando levou um soco na barriga
quando brigava com o irmão
de vinte e cinco anos.
e hoje, aos quatorze, diante de mim
ela fugiu entrando num carro
buscando um colo
uma rota de fuga
sem dar atenção às palavras
que semeei no coração dela
E agora eu vim, Senhor,
Prestar
contas dos frutos
Eu não presto
Os frutos estão podres
E os meus pecados e falhas
Se me amargaram nas minhas entranhas
E me disseram:
-Você não tem casa, você não tem cara,
Você não tem chance.
Mas mesmo que seja incômodo
Olha para eles, e me defende.
Por que achei o monte longe de mais
Para subir
As horas lentas demais
Pra ficar sem comer
Oh Deus, meu inimigo não pode vencer assim!
Mesmo que meus erros sejam como
Vitamina, ferro e fósforo para ele,
Lava minhas feitiçarias,
A desobediência insensata.
Sabe, Senhor, preciso encontrar uma saída...
Os meus sonhos se parecem
Tão distantes...
Mas estão sempre lá...
Esperança é uma qualidade de fé...
Abraão creu na promessa
E isto lhe foi imputado para a
Justiça.
Deus cuide do que é seu
Hoje
de manhã eu estava exausto, não quis levantar, chega um ponto em que
tudo cansa, tudo tem seu limite, é como se eu não quisesse acordar hoje.
Ou nem acordar mais. Depois de uma semana tão corrida meu cansaço
acumulado não me deixava levantar. Um turbilhão de coisas em volta, para
serem resolvidas, um milhão de responsabilidades, meses a fio de
trabalho interminável e sem tempo para nada, sem tempo para tudo. Eu não
queria acordar para isso... eu queria achar um abrigo dentro de mim
onde eu pudesse ficar imóvel. Não levantei cedo, meu amor queria sexo,
se arrumou pra mim, vestiu lingerie, mas eu estava exausto e procurava
ainda aquele lugar de paz dentro de mim. Eu queria dormir. Entendo o
quanto isso é frustrante para uma mulher, mas nem percebi quando ela
saiu e deixou a porta destrancada.
E eu fechado...
olhos
fechados, encolhido na cama, debaixo do peso do mundo. Eu era um Atlas
ferido.
Não fui ao trabalho, levantei-me às 2 da tarde, fui ao chuveiro, queria
me lavar do peso. Peso que carrego sem resignação, mas que pesa dentro.
Quis chorar no chuveiro, reclamei com Deus contra aqueles que me
oprimem, e uma resposta Dele. Ignorei de propósito as chamadas de meu
superior no celular... só saí de casa pra tomar banho de chuva... agora
vou dormir mais... minha vida é um liquidificador alucinado. Mas puxei o fio da tomada.
E a verdade
é que nem me importo mais...