margem de erro

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Eu na beira fitando o profundo
Via meu vazio em silencioso mergulho
e eu era um abismo sem fundo
sem saber onde foi que perdi minha vida
entre lixo e entulho

Eu na beira fitando o pélago
como voo perdido de uma pluma na espuma
na água salgada minhas lágrimas não fazem diferença nenhuma,
meu sangre entre o rubor de seu roseiral
não faz diferença nenhuma

Eu deixado à margem, bastardo legítimo
minha insignificância pertence ao infinito
e o infinito pertence ao meu íntimo 
meu conflito aflito e contrito
necessidade de amor infinito

Eu mendigo, eu viciado, ou eu deprimido
Ansiedade a medir o abismo com uma régua 
Eu marginal, preso a pesos e pesares sem trégua 
Na beira de mim ouvindo o não dito
Na multidão impessoal e incompreensível 
eu sou mais um, sou invisível

Na multidão
minha presença, 
não faz diferença
não.

Como se eu fosse um poema, 
uma mentira ou estórias fictícias,


Apesar de sempre estar lá nunca apareci nas estatísticas.



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