Ofício

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Já bem cedo bato meu ponto cotidiano de fazer poemas
minha dor é material de consumo, 
entretenimento para as massas.
Esse é meu trabalho invisível sem importância.
Meu trabalho para sustentar futilidades humanas.
Meu trabalho de provocar o que não sentes, mas gostarias de sentir.
Meu trabalho escravo,
minha pele é escura tal qual meu coração,
sou imigrante,
sou forasteiro.

Por isso minhas lágrimas são mais fortes que minha esperança
Negras lágrimas que vem do desrespeito, do abandono, do preconceito

E não se importas se o chão que pisas sou eu

Meu povo não tem pão 
Mas terá circo...
poesia


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